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6 comentáriosEm 1992, quando cobria a temporada da Fórmula 1 para a Agência Estado, tomei a iniciativa de conhecer a sede da Lotus antes que ela acabasse. De fato, a lendária escuderia inglesa, a mais charmosa da Fórmula 1 depois da Ferrari, fecharia as portas dois anos depois.
Tomei um trem de Londres para Norfolk pensando nas ameaças que pesavam sobre a equipe em cujo cockpit brilharam Jim Clark, Graham Hill, Jochen Rindt, Emerson Fittipaldi e Mario Andretti. A Lotus já era uma sombra do passado e até a pintura do carro, predominantemente branco naquele ano, dificultava sua identificação para quem se habituara a vê-la verde com faixa amarela, nos tempos pré patrocínio, ou com o vermelho e dourado do Gold Leaf e o magniífico preto do John Player Special.
Mas ao chegar a Ketteringham Hall, propriedade comprada por Colin Chapman, em 1968, parecia que as incertezas tinham ficado para trás. Em meio àquela grande propriedade, respirava-se tradição, e parecia que a Lotus verde de Clark iria aparecer a qualquer momento entre os jardins.
Fui recebido por James Penrose, assessor de imprensa, que me guiou na visita à gigantesca casa em estilo gótico, com um lago artificial à frente. Katteringham Hall data de 1046 e passou por vários proprietários até ser comprada por Chapman, que fez dali o seu centro de inteligência, de onde sairam idéias geniais, como o carro-asa.
Em uma das salas, logo ao entrar, havia uma foto de Emerson Fittipaldi, com a Lotus 72, que parecia estar ali para me receber. Pelos corredores da casa, sentia-se o peso da história. Mas a Lotus já não era a mesma desde a morte de Chapman, em 1982, e mesmo com o esforço de gente do ramo, como Peter Collins e Peter Wright, que tentaram reconstrui-la, a gloriosa escuderia inglesa não resistiu. Até hoje faz falta no grid.
3 comentáriosUtilizado inicialmente nos carros da Lotus, o efeito-solo era obtido pelo desenho do assoalho do carro, em forma de asa de avião invertida, que criava uma zona de baixa pressão sob ele, colando-o ao chão. As velocidades obtidas nas curvas passaram a ser crescentes e perigosas, o que levou a sua proibição em 1984, depois que outras equipes também exploraram essa vantagem aerodinâmica, valendo-se, sobretudo, das saias laterais. Quem quiser conhecer os detalhes do pioneirismo da Lotus no uso do efeito-solo, há um ótimo título em inglês "Lotus 78-79 - The Ground-Effect Cars", de John Tipler, editora The Crowood Press.
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